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Surdos pedem intérpretes em órgãos públicos e empresas

por Célia Ferreira publicado 19/04/2022 16h55, última modificação 20/04/2022 13h04

 

Para registrar o Dia Nacional da Libras, comemorado em 24 de abril, o presidente da Câmara de Cachoeiro, Brás Zagotto (PODE), convidou a presidente da Associação dos Surdos de Cachoeiro de Itapemirim (Assurci), Patrícia Brithes, a comparecer à sessão desta terça-feira (19). Utilizando a Libras, e com a mediação da tradutora e intérprete de Libras Sara Viana Gomes, Patrícia pronunciou-se sobre as dificuldades que a comunidade surda ainda enfrenta no município e a necessidade de ações públicas efetivas que promovam sua inclusão na sociedade.

 

Segundo Patrícia, um dos principais problemas é que a comunidade de surdos não encontra intérpretes de Libras nas repartições públicas e nas empresas situadas em Cachoeiro, o que dificulta e muitas vezes impede o acesso a serviços essenciais. “Se eu não conseguir algum intérprete disponível para me acompanhar, vou ao hospital e não consigo atendimento, por falta de comunicação. Todo mundo acha bonito ver o intérprete de Libras na televisão, mas e aqui, na vida real? Oferecer o básico é um direito, somos dignos como qualquer outra pessoa, e precisamos de acessibilidade”, afirmou.

 

O presidente da Câmara, Brás Zagotto, lembrou que a casa está preocupada com a questão já há algum tempo, e, inclusive, está tomando as providências legais para viabilizar a contratação de um intérprete de Libras para as sessões legislativas, que são transmitidas pela internet “E vamos atender também a esta nova solicitação da Associação, levando a demanda ao Executivo, para que tenhamos uma lei municipal tratando da obrigatoriedade dos intérpretes em outras repartições e empresas da cidade”, afirmou.

 

O vereador Alexandre de Itaoca (PSB), autor do projeto que, na legislatura passada, reconheceu a utilidade pública da Assurci, afirmou que os surdos precisam de apoio, para que suas necessidades sejam reconhecidas. Por isso, afirmou que defende, junto à administração municipal, a construção de uma sede para a Associação e também a obrigatoriedade de intérpretes na recepção de escolas, postos de saúde, hospitais públicos e privados, entre outros locais. “E a contratação de um intérprete por esta casa de leis já será um exemplo muito grande para a sociedade”, concluiu.