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“Nossa sociedade é doente”, diz médico em palestra sobre suicídio

por Célia Ferreira publicado 11/09/2018 18h18, última modificação 11/09/2018 18h18

 

 

Não acredito em saúde sem saúde mental. É preciso superar a ideia de que o psiquiatra é apenas médico para loucos”. A afirmação é do médico psiquiatra Marcello Pirama Baptista, que esteve na Câmara nesta terça-feira (11), falando sobre a importância do “Setembro Amarelo”, movimento mundial de conscientização sobre a prevenção e as condições que levam ao suicídio.

 

Segundo o médico, em 2012, ocorreram 30 mil suicídios no país, sendo esta a terceira causa de morte entre os jovens. O Brasil é o oitavo país do mundo em tentativas de suicídio. “Mais da metade dos suicidas nunca foi ao psiquiatra. Nem sempre o problema é a depressão, no entanto, 98 por cento dos que atentaram contra a própria vida têm algum transtorno psiquiátrico, até porque nossa própria sociedade é doente”, analisa Baptista. Ter uma religião, emprego e filhos também são fatores que ajudam a afastar pensamentos suicidas.

 

Cerca de 800 mil pessoas se matam anualmente no mundo, e cada uma delas influencia cerca de 60 outras. Por isso, esclarece o médico, evita-se divulgar prontamente os suicídios, pois já foi comprovado que isso pode desencadear um crescimento descontrolado dos casos. As mulheres tentam mais vezes, mas os homens são mais letais, por isso lideram as estatísticas. Além dos problemas de saúde mental, há outros aspectos que levam alguém a este ato de desespero, como fatores genéticos, herança familiar e a própria cultura do país. Um exemplo é o Japão, onde o suicídio, conhecido como haraquiri, é visto como saída honrosa.

 

A campanha Setembro Amarelo foi incluída no calendário oficial do município no ano passado, por meio de lei do vereador Delandi Macedo (PSC), aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal. E, diante do grande número de suicídios em Cachoeiro, assim como em outros municípios da região sul do estado, o vereador Diogo Lube (PDT) tem participado das articulações para a criação de uma sede do Centro de Valorização da Vida (CVV) em Cachoeiro, com apoio de outros vereadores.

 

 

Pronunciamentos dos vereadores:

 

Diogo Lube (PDT): Em breve teremos um CVV em Cachoeiro, que ainda está a procura de um local para se instalar. Gostaria que o senhor falasse sobre o assunto.

Resposta: Não tenho contato com futuro CVV daqui, conheço o de Vitória. Será um serviço de suma importância para a cidade, que aliás tem como vizinha a cidade de Vargem Alta, que lidera os índice de suicídio do estado.

 

 

Ely Escarpini (PV): O que leva ao transtorno bipolar?

Resposta: Sabemos hoje que alguns cérebros sofrem de transtornos neuroquímicos. Também existem fatores genéticos, muito importantes nas patologias psiquiátricas.

 

Renata Fiorio (PSD): Temos a Ouvidoria da Mulher na Casa, e temos muitas mulheres em situação de vulnerabilidade e precisando de atendimento psiquiátrico para si mesmas ou para seus filhos. O que a rede pública de saúde da cidade oferece?

Resposta: Temos o CAPAAC, que oferece atendimento de qualidade no pronto-socorro psiquiátrico, mas com número limitado de leitos e sem atendimento ambulatorial, aquele de acompanhamento ao paciente. Não temos psiquiatra no CRE, e nem na rede municipal. Resta o CAPS AD, destinado aos usuários de álcool e drogas. Hoje, a saúde mental vem sendo negligenciada, mas é a especialidade do momento. Somo o país com maior taxa de ansiedade no mundo e o segundo em casos de depressão, e maior consumidor do mundo de psicotrópicos.

 

Rodrigo Sandi (PODE): Crise financeira e desemprego levam ao suicídio?

Resposta: Sim. Estar empregado é um fator de prevenção ao suicídio

 

Walace Marvilla (PP): A atitude de “se cortar”, praticamente moda entre os adolescentes agora, é fator de risco para o suicídio?

Resposta: É um comportamento que ainda não está bem estudado. Mas os jovens de hoje têm pouca resiliência, e se cortar os faz esquecer as dores maiores. Não suportam não conseguir tudo o que querem imediatamente. A grande maioria não quer se matar, apenas aliviar seu sofrimento.